A evolução da dama no tango não depende de uma habilidade para reproduzir coreografias. Ao contrário, seu crescimento técnico é proporcional à sua capacidade de lidar com o desconhecido.
O medo de encarar um "passo não aprendido" diminui à medida em que a dama se confia ao cavalheiro. Ser conduzida significa colocar-se em uma entrega gentil e suave, pertencer a ele durante aqueles minutos.
Será que a emancipação feminina nos impede de agir nesta situação de aparente submissão? Mas a dança é uma obra criativa, não uma disputa de poder. A dama que se entrega tem mais facilidade em achar seu tempo e espaço de ação, através dos enfeites.
Também na vida situações desconhecidas geram medo. E o medo (de perder algo que amamos) faz com que tentemos, em vão, controlar o que acontece para evitar que soframos.
Aprender a ter o corpo conduzido no tango é um exercício que torna a mente mais calma, concordando em ser conduzida pelo mistério da vida. É aprender a viver com mais leveza, deixando que o destino (e não nossas estratégias) nos conduzam e nos aproximem da vida plena que toda mulher deseja e merece.
Marcela Werneck

